terça-feira, 28 de março de 2017

Terrorismo








Metropolitano apinhado em hora de ponta e temperaturas de fazer inveja a um 17 de Julho qualquer, a composição arranca, ganha balanço, ouvem-se gritos, a bisarma de ferro trava a pés juntos e #somostodospeçasdedominó.
Isto foi o que aconteceu e que tem explicação: um homem já nada jovem fora arrastado alguns metros por causa de uma mal conseguida entrada "às arrecuas".
O que não teve explicação foi a reacção das pessoas que sobrelotavam as carruagens. Ou então tem e a #passageirafrequente não quer aceitar.
Houve gente exaltada com o calor, a falta de ventilação, as portas que não abriam, as velhas que não se sentavam, os telemóveis que não paravam de tocar. Houve vozes alteradas, quase gritadas, mãos que puxavam alavancas de emergência e senhoras que tentavam partir vidros com os tacões dos sapatos.
Foram quase trinta minutos de aflição, mas, sobretudo, foi quase meia hora a viver num laboratório de observação do comportamento (des)humano.
Nestes dias assustadiços, de atentados e gente transtornada, valeu-lhe a música que os auscultadores iam debitando, incrédula, como se ainda estivesse a assistir a "Subway". Só que agora os actores eram outros, mais reais mas menos humanos...
[Foto do Alfredo Matos]

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