terça-feira, 28 de março de 2017

De como chapéus há muitos.




Como povo, temos um problema com chapéus.

Se não acreditam, a #passageirafrequente leva-os numa viagem de metro, em dia de chuva, para verem como o tuga usa o chapéu-da-dita: quando molhado, fica afastado dez centímetros do corpo, entrando, desta maneira, oito centímetros no espaço aéreo do outro passageiro; seco, vai agarrá-lo na horizontal, braço pendurado para baixo, com a ponteira de ferro apontada ao olho/barriga/menisco do incauto que segue a peugada do portador da arma... branca.

Do mesmo modo o chapéu-de sol se torna uma arma de destruição em massa, nas praias e albufeiras, mesmo em dias de ligeira brisa. O tuga não gosta de esburacar o areal, para isso já basta o presidente da junta!, então é vê-los encostar o chapéu da Nestlé à areia e pôr, pelo-sim-pelo-não, a lancheira por cima do varão que era suposto estar atascado até à Nova Zelândia. Então a maré muda, o vento vira e lá andam as sombrinhas a esvoaçar, direitas aos costados dos banhistas.


Digam lá que nunca vos aconteceu? Poizé...




Da política





"Falsas, injustas e absurdas (sic)" todas as acusações contra a sua pessoa.
A ouvir José Sócrates, esse patriota falsa, injusta e absurdamente acusado.
A #passageirafrequente está a sentir-se atropelada por duas carruagens e uma bilheteira.


Terrorismo








Metropolitano apinhado em hora de ponta e temperaturas de fazer inveja a um 17 de Julho qualquer, a composição arranca, ganha balanço, ouvem-se gritos, a bisarma de ferro trava a pés juntos e #somostodospeçasdedominó.
Isto foi o que aconteceu e que tem explicação: um homem já nada jovem fora arrastado alguns metros por causa de uma mal conseguida entrada "às arrecuas".
O que não teve explicação foi a reacção das pessoas que sobrelotavam as carruagens. Ou então tem e a #passageirafrequente não quer aceitar.
Houve gente exaltada com o calor, a falta de ventilação, as portas que não abriam, as velhas que não se sentavam, os telemóveis que não paravam de tocar. Houve vozes alteradas, quase gritadas, mãos que puxavam alavancas de emergência e senhoras que tentavam partir vidros com os tacões dos sapatos.
Foram quase trinta minutos de aflição, mas, sobretudo, foi quase meia hora a viver num laboratório de observação do comportamento (des)humano.
Nestes dias assustadiços, de atentados e gente transtornada, valeu-lhe a música que os auscultadores iam debitando, incrédula, como se ainda estivesse a assistir a "Subway". Só que agora os actores eram outros, mais reais mas menos humanos...
[Foto do Alfredo Matos]