sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Soflusa, os horários e os passageiros




Urge pôr cobro ao caos que vigora na utilização dos transportes públicos em geral e da Soflusa em particular.

Esta é a sugestão da #passageirafrequente:


• 08:00 às 08:14

- empregados da banca com aproximadamente um metro e oitenta;
- senhoras com sapatos de salto alto;
- portadores de caspa com casacos azuis;

• 08:15 às 08:29
- elementos de equipas de futebol feminino, sem distinção de sexo;
- cães-guia quando acompanhados dos donos;
- senhoras com crianças de colo cujo apelido comece pela letra A (até G);

• 08:30 às 08:44
- artistas de circo veganos;
- membros do clero, devidamente paramentados;
- meteorologistas e ´designers´ de mobiliário;
- senhoras com crianças de colo cujo apelido comece pela letra H (até O);

• 08:45 às 08:59
- homens com bastante pressa;
- senhoras com crianças de colo cujo apelido comece pela letra P (até V)*.

* solicita-se aos utentes cujo apelido comece pelas letras X, Y ou Z, que se abstenham de fazer a travessia, recomendando que fiquem na margem Sul, que também é bonita.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Equinócio do Outono 2017











Enquanto houver um cámone a estacionar o trólei XXL em cima dos pés da #passageirafrequente, uma norueguesa a beber um pontapé na c*** no Bairro Alto ou um grupo de não-ocidentais, liderados por uma não-ocidental de chapéu-de chuva em riste, perdido na Rua Morais Soares, o Verão ainda não acabou.
Não interessa se já não há bolas de Berlim a empanturrar os areais nem noites de calor sem casaquinhos.
O que importa é que as pesetas, e os marcos e as liras continuem a engordar o PIB.
— em Estação Cais do Sodré.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Medicina, a Psicologia e a Psiquiatria entraram num comboio...




Sentadinha no seu lugar, no sentido da marcha e nos bancos de quatro, vai imbuída do espírito académico. Ouve a conversa de três estudantes, duas finalistas do secundário e uma a frequentar o décimo primeiro ano. Escolheram o Curso de Ciências e Tecnologias porque "tem mais saídas". Depois uma delas começa a divagar "eu queria medicina, mas vou antes para psicologia, é que a psicologia vai ser sempre preciso, tipo agora, tipo para toda a gente" (ao contrário da medicina, que ...está a passar de moda, porque já ninguém fica realmente doente, pensa a #passageirafrequente, enquanto continua a escutar a conversa alheia). E concordava outra "iá, psicologia tem bué saídas, tipo para psiquiatra!".
Sim senhora, gente esclarecida, cheia de ambição. Estamos todos mais descansados porque o sistema de ensino, no que à escolha das áreas vocacionais e saídas profissionais diz respeito, está a funcionar i-m-p-e-c-a-v-e-l-m-e-n-t-e.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Dois lugares para dois rabos














Ao fim de sete paragens, a tia de Cascais (das originais, sentada de lado, pernas esticadas e mala a ocupar o lugar do lado, telemóvel em riste, sorriso pateta na troca de sms e a ler baixinho cada mensagem que escrevia e as que recebia) lá percebeu que os lugares para dois sentam mesmo dois rabos.
Que maçada, pensa a #passageirafrequente, já não haver primeira classe. É que hoje teria poupado um bocadinho de paciência...



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Mais um ciclo



Sabe-se que a vida é feita de ciclos, há teorias sobre altos e baixos, retracção e expansão e isso. Hoje começou outro ciclo, o de transportes públicos cheios de caras novas e caras jovens: os que vão pela primeira vez, os que vão repetir e os que nem sabem ao que vão.

Hoje havia miúdas com os cabelos impecavelmente alisados, maquilhadas e carregadas de esperança e havia rapazes a serem rapazes. Recomeça hoje o desfilar de mochilas e tróleis cheios de livros e apontamentos e equipamentos de educação física.

No comboio lotado, a #passageirafrequente reparou num miúdo de dez anos, de camisa branca e sapatos engraxados, que sorria. Um sorriso rasgado que contrastava com as trombas de todos os que o rodeavam. Ela também sorriu e houve mais quem o tivesse feito, era contagiante, como um bocejo ou o riso nervoso.


Saiu numa paragem no meio do percurso. O rapaz mais velho que o acompanhava, irmão certamente, trocou com ele uma piscadela de olhos e seguiram pela plataforma de mãos dadas.


Que seja um bom ano, este de 2017-2018, cheio de sorrisos para os que vão aprender e para os seus mestres e cuidadores.


[foto "roubada" à Professora MJoão Afonso, que ajudou a construir esta escola no outro lado do mundo #respect]

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Desmentido - IRONMan









Lamentavelmente a #passageirafrequente vem por este meio informar todos os que apoiaram a sua participação na competição (e também aqueles que ignoravam o seu propósito) que, devido a um mal-entendido linguístico, não participará na prova IRONMAN no próximo sábado em Cascais.
Na verdade, tratou-se de uma confusão com a palavra “iron” que, em inglês significa ‘ferro’, mas também ‘ferro de engomar’.
Assim, e não havendo uma competição internacional de passar a ferro, fica sem efeito a sua participação no evento.
A todos um gigantesco BEM-HAJAM!








IRONMan












Devido ao treino intensivo das próximas quarenta e oito horas, a #passageirafrequente vai estar ausente das lides feicebuquianas.

Agradece a todos as mensagens de incentivo e espera representar condignamente as cores do seu coração.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Teiquére ovióre bilonguingues.









Teiquére ovióre bilonguingues.
A #passageirafrequente acha que esta frase, gravada por uma voz com boa dicção e sotaque impecável, seria menos irritante. E mais compreensível.
Mas não... Tinha de ser a versão feminina do José "Number One" Mourinho a gravar o aviso.
Obrigada, Metropolitano de Lisboa.

Dos saldos



Ameijoas, mexilhões, douradas, bacalhau, robalos e caracóis. Mas havia mais, havia um oceano de bicharada na conversa das duas passageiras. Tanto, que parecia que estavam no alto mar, com direito a mareio no metro e tudo.
Parece que foi ontem e eram saldos. S-A-L-D-O-S de peixe e marisco.
A entusiasta das compras de peixe fresco (também havia congelado, mas ela prefere sempre os frescos...) por atacado estava orgulhosa e a sentir-se heroína no pior episódio de “Pesca Radical”.... Ainda com algumas escamas coladas ao braço esquerdo, desabafou “Bem, claro que não ia congelar aquilo tudo, não é? Fiz os caracóis, os mexilhões, as ameijoas, fritei pescada, mas depois ninguém quis comer o peixe no forno”.
Oh, como a #passageirafrequente a compreende! É tal qual quando compra duas saias e um par de calças e tenta ir trabalhar com aquilo tudo vestido.
Época de saldos. Ficamos um bocado mais parvos do que de costume.

Holiday Sale Madness (imagem roubada na net)

Olhar para o ar




Quando não se passa nada cá por baixo, a #passageirafrequente anda com a cabeça no ar.




Do Karma








Aquele pingo no nariz, a sensação de que uma assoadela vai limpar o dito e o mundo. A vontade de encostar o lenço de papel à protuberância facial e libertá-la das húmidas excrescências. Deitar a mão ao bolso/mala/mochila, tirar o bendito pedaço de papel/pano/não-tecido e soprar o nariz, como dizem os estrangeiros...
Quem nunca?!
                                                      Resultado de imagem para fungar
Hoje a #passageirafrequente pagou pela pena. Sem lenço ou similar está, seguramente, a ser alvo de um 'post' cheio de raiva num qualquer mural facebookiano.
Bem feito! É para ver se aprende a deixar os companheiros de carruagem fungarem à vontadinha!

Prontuários




"É igual a eu." "Uma pessoa pega eu."

A #passageirafrequente pede, encarecidamente, que lhe arranjem um par de auscultadores porque, a continuar assim, vai gastar o subsídio de férias em prontuários ortográficos.



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tribos





A #passageirafrequente gosta de tribos, as urbanas e as rurais. Acha piada aos góticos que resistem às tendências da moda, aos 'hipsters' com as suas barbas bem cuidadas e às barbas dos 'bears' assumidos. As miúdas dos 'anime' fazem-lhe inveja porque vivem na BD e um dia destes conhecem o Tintim ou a Luluzinha e as do secundário, que usam blusas curtas e calções nos doze meses do ano, deixam-na a pensar se há realmente um Superser para cada portuguesa.
Mas a sua estima vai mesmo para os nossos novos trovadores.
E não interessa se são tugas pretos, brancos ou assim-assim, se não abdicam do boné atravessado ou se têm gosto discutível ao nível dos sapatos de ténis. Gosta da atitude destes poetas nacionais que vivem para nos contarem como se vive nos bairros escuros e como é o Amor quando tudo à volta é complicado.
É gente empenhada em cantar sem peneiras, pelo prazer de fazer rimas e fazer-se ouvir.
Foram obrigados a ler Camões e as loooongas descrições do Eça, fugiram ao "Eurico" mas levaram com o Pessoa e isso fez deles os herdeiros da magia que é saber usar a língua portuguesa.
Sosseguem, que está bem entregue!

terça-feira, 28 de março de 2017

De como chapéus há muitos.




Como povo, temos um problema com chapéus.

Se não acreditam, a #passageirafrequente leva-os numa viagem de metro, em dia de chuva, para verem como o tuga usa o chapéu-da-dita: quando molhado, fica afastado dez centímetros do corpo, entrando, desta maneira, oito centímetros no espaço aéreo do outro passageiro; seco, vai agarrá-lo na horizontal, braço pendurado para baixo, com a ponteira de ferro apontada ao olho/barriga/menisco do incauto que segue a peugada do portador da arma... branca.

Do mesmo modo o chapéu-de sol se torna uma arma de destruição em massa, nas praias e albufeiras, mesmo em dias de ligeira brisa. O tuga não gosta de esburacar o areal, para isso já basta o presidente da junta!, então é vê-los encostar o chapéu da Nestlé à areia e pôr, pelo-sim-pelo-não, a lancheira por cima do varão que era suposto estar atascado até à Nova Zelândia. Então a maré muda, o vento vira e lá andam as sombrinhas a esvoaçar, direitas aos costados dos banhistas.


Digam lá que nunca vos aconteceu? Poizé...




Da política





"Falsas, injustas e absurdas (sic)" todas as acusações contra a sua pessoa.
A ouvir José Sócrates, esse patriota falsa, injusta e absurdamente acusado.
A #passageirafrequente está a sentir-se atropelada por duas carruagens e uma bilheteira.


Terrorismo








Metropolitano apinhado em hora de ponta e temperaturas de fazer inveja a um 17 de Julho qualquer, a composição arranca, ganha balanço, ouvem-se gritos, a bisarma de ferro trava a pés juntos e #somostodospeçasdedominó.
Isto foi o que aconteceu e que tem explicação: um homem já nada jovem fora arrastado alguns metros por causa de uma mal conseguida entrada "às arrecuas".
O que não teve explicação foi a reacção das pessoas que sobrelotavam as carruagens. Ou então tem e a #passageirafrequente não quer aceitar.
Houve gente exaltada com o calor, a falta de ventilação, as portas que não abriam, as velhas que não se sentavam, os telemóveis que não paravam de tocar. Houve vozes alteradas, quase gritadas, mãos que puxavam alavancas de emergência e senhoras que tentavam partir vidros com os tacões dos sapatos.
Foram quase trinta minutos de aflição, mas, sobretudo, foi quase meia hora a viver num laboratório de observação do comportamento (des)humano.
Nestes dias assustadiços, de atentados e gente transtornada, valeu-lhe a música que os auscultadores iam debitando, incrédula, como se ainda estivesse a assistir a "Subway". Só que agora os actores eram outros, mais reais mas menos humanos...
[Foto do Alfredo Matos]

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Arte Urbana my ass





Todas as manhãs de todos os dias úteis, a #passageirafrequente senta-se confortavelmente e prepara-se para quarenta minutos de êxtase com as paisagens marítimas e fluviais que a viagem, que a leva ao coração do Império, proporciona.
Mas há dias em que é tudo diferente e é apenas uma deslocação que não passa de uma resma de quilómetros sem vista. São os dias em que lhe toca sentar-se numa carruagem... que foi intervencionada por um agente de Arte Urbana.
Não a entendam mal, que ela aprecia as artes plásticas contemporâneas, deslumbra-se com os murais grafitados e conhece os artistas novos, que beberam a influência do rei Banksy.
O que ela detesta é olhar pela janela e ver o Atlântico pintado de vermelho.
É original, sem dúvida, mas ela preferia o original...


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Recycle or Die








Quando a reciclagem é levada a outro nível, a #passageirafrequente vacila... 'Bora lá então encher a cozinha de pacotes de leite mal-cheirosos e jornais velhos, que a senhora tinha ar de poucos amigos!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Sem título






O que é que a #passageirafrequente prefere: o vizinho do banco de trás a fungar desde Cascais ou a senhora do lado, impecavelmente penteada, maquilhada pela 'pro' da Perfumes & Companhia e com um sobretudo de lã fria da Max Mara que discute a vida de todos os amigos, ao telefone, desde a Parede?
Tanto faz, hoje está capaz de bater nos dois. Ao mesmo tempo. Com a sua clutch verde esmeralda. Da Longchamp.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

É Janeiro.

Confortavelmente sentada, longe dos dias em que os passageiros viravam os bancos forrados de napa no sentido da marcha, abrigada do frio que faz lá fora, a #passageirafrequente olha pela janela e aprecia o mar revolto, é normal, estamos em Janeiro, os companheiros não enchem a carruagem, na marginal rolam os carros, a sua música toca baixinho nos auscultadores e vai embalada pelo rame-rame das rodas de ferro que deslizam suavemente sobre os carris.
É Janeiro e parece que a construção de um muro a dividir dois países, no outro lado deste mar, ainda não afectou a vida como nós a conhecemos.