Privada dos auscultadores, que ficaram em casa como medida de protesto para o atraso na chegada das férias, tem de dedicar a sua atenção às conversas da vizinhança.
É por isso que está atenta quando a senhora, acabada de entrar no comboio, faz menção de se sentar ao lado de outra, já instalada. Visando respeitar as regras do distanciamento social, a sentada diz-lhe escolha outro lugar, dos vários disponíveis. A outra que não, que quer aquele e, amuada, lá se vai sentar ao gosto da DGS e da OMS.
Aqui entra uma terceira utente, que informa a sentada de que está a ocupar o banco reservado a quem, por via de deficiência ou criança de colo ou outro condicionalismo, tem de ser protegido. Ouve, acena e sorri com os olhos. A que dá os esclarecimentos insiste, a sentada anui.
Só no fim da viagem é que a #passageirafrequente percebe que a sentada tem uma deficiência no braço, tapada por um casaco.





