quarta-feira, 3 de junho de 2020

O novo normal





Despertador para hora madrugadora, chegada à estação e gente, muita gente. Há mascarados e aqueles que não gostam do Carnaval, compreende-se.

O comboio das oito está atrasado. Às nove e vinte aparece, com ar ensonado e ainda com alguns botões por apertar, compreende-se.

Ela agarra as asas do saco onde transporta os sumos naturais e a fruta fresca acabada de cortar, esmeradamente embalados em frascos de vidro reciclado, sem contar com o peso e o som não engana: cacos e um rio de sumo, compreende-se.

Agora tenta manusear o clássico do Senhor Huxley, em fase de releitura das boas distopias, mas as folhas estão coladas e cheiram a sumo de banana e manga, compreende-se.

Ao chegar à terceira paragem quem entra, senta-se onde há lugar e o distanciamento social é apenas uma linda quimera, compreende-se.
São nove e quarenta e a #passageirafrequente já está com vontade de voltar para o confinamento. Compreende-se?